Quais serão os maiores desafios ambientais da próxima década? Especialistas respondem na ECO EXPO 2026
Da destinação de resíduos à descarbonização da economia, especialistas reunidos na ECO EXPO 2026 apontam os principais obstáculos que o Brasil precisará superar para construir um futuro mais sustentável.
O futuro do meio ambiente depende de decisões que precisam começar agora. Mas, diante de tantos desafios, qual será a maior prioridade ambiental dos próximos dez anos? A pergunta foi apresentada a especialistas e representantes do setor durante a ECO EXPO 2026, realizada em São Paulo, em uma reportagem produzida pelo canal 40 Ambiental.
As respostas revelam que não existe uma solução única. Gestão de resíduos sólidos, logística reversa, desenvolvimento tecnológico, educação ambiental, descarbonização, incentivos econômicos e políticas públicas aparecem entre as questões consideradas fundamentais para o futuro do país.
Apesar das diferentes perspectivas, um ponto aproxima os entrevistados: a necessidade de transformar a preocupação ambiental em ações concretas, capazes de envolver governos, empresas, indústrias e toda a sociedade.
Resíduos sólidos: um desafio que ainda está longe de ser resolvido
A destinação adequada dos resíduos sólidos foi apontada como uma das principais preocupações para a próxima década. Mesmo com os avanços da reciclagem, ainda existem obstáculos importantes para garantir que os materiais descartados cheguem efetivamente aos locais onde possam receber tratamento ou retornar aos processos produtivos.
Nesse contexto, a logística surge como um dos grandes desafios. Não basta conscientizar a população sobre a separação dos resíduos. É necessário desenvolver estruturas eficientes de coleta, transporte, triagem e processamento.
Os custos operacionais, especialmente os relacionados ao transporte e aos combustíveis, também foram mencionados como fatores que dificultam a ampliação da reciclagem no Brasil.
A questão evidencia que a economia circular depende de uma cadeia integrada, na qual cada etapa precisa funcionar para que os resíduos deixem de representar um problema e passem a ser reconhecidos como recursos.
Tecnologia: o desafio de reciclar o que ainda não tem solução
Outro aspecto destacado pelos especialistas é a necessidade de desenvolver tecnologias para recuperar materiais que atualmente apresentam dificuldades técnicas ou econômicas de reciclagem.
Enquanto materiais como papelão, garrafas PET e latas de alumínio já contam com cadeias de recuperação consolidadas, determinadas embalagens plásticas e materiais compostos ainda representam desafios importantes.
Embalagens de salgadinhos, bandejas utilizadas para alimentos e outros produtos de difícil processamento foram citados como exemplos de materiais para os quais ainda é necessário ampliar as soluções disponíveis.
O desenvolvimento de novos processos industriais, equipamentos e tecnologias de separação poderá desempenhar um papel decisivo nesse cenário.
Entretanto, os entrevistados também chamaram a atenção para uma responsabilidade que começa antes do descarte: a própria indústria precisa desenvolver produtos e embalagens considerando sua possibilidade de reciclagem.
A circularidade, portanto, não começa quando um produto é descartado, mas ainda na fase de concepção e escolha dos materiais utilizados em sua fabricação.
Reciclagem precisa gerar valor econômico
Um dos argumentos apresentados durante a reportagem diz respeito à importância de atribuir valor econômico aos materiais recicláveis.
O exemplo das latas de alumínio foi utilizado para demonstrar como uma cadeia estruturada, com demanda industrial e retorno financeiro, pode alcançar resultados expressivos de recuperação.
Para os especialistas, ampliar esse modelo para outros materiais será fundamental para fortalecer a reciclagem no país.
Isso envolve não apenas o desenvolvimento de mercados para matérias-primas secundárias, mas também a criação de condições econômicas que tornem a recuperação de resíduos mais competitiva.
Entre as propostas mencionadas estão linhas de crédito, incentivos fiscais e a revisão de políticas tributárias que impactam o setor.
A reciclagem também foi reconhecida por seu potencial de desenvolvimento social, geração de renda e criação de oportunidades econômicas, reforçando sua importância para além dos benefícios ambientais.
Descarbonização e combustíveis renováveis
A redução das emissões de carbono aparece como outro grande desafio para os próximos anos.
Os entrevistados destacaram a necessidade de ampliar a utilização de combustíveis renováveis e desenvolver alternativas capazes de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Entre as tecnologias mencionadas estão o aproveitamento do metano, a eletrificação do transporte coletivo, o hidrogênio verde e os combustíveis sustentáveis para a aviação.
Embora reconheçam os avanços, os especialistas observam que a transição energética será um processo de longo prazo, que exigirá investimentos, inovação e continuidade das políticas de desenvolvimento.
A transformação da matriz energética e a redução da pegada de carbono deverão caminhar paralelamente à modernização dos processos industriais e dos sistemas de transporte.
Educação ambiental e responsabilidade compartilhada
Se a tecnologia e os investimentos são essenciais, a mudança de comportamento da sociedade também ocupa uma posição central nas respostas.
Os especialistas ressaltaram que a responsabilidade ambiental não pode ser atribuída exclusivamente ao poder público, às empresas ou aos consumidores.
Todos participam da cadeia de geração, descarte e recuperação de resíduos.
A educação ambiental foi apontada como instrumento indispensável para modificar hábitos, ampliar a separação correta dos materiais e fortalecer a compreensão sobre a importância da reciclagem.
Essa transformação começa dentro de casa, mas precisa alcançar escolas, empresas, governos e comunidades.
Mais do que ensinar a separar resíduos, trata-se de desenvolver uma consciência coletiva sobre o consumo, a redução do desperdício e o destino dos materiais utilizados diariamente.
Políticas públicas e continuidade das ações ambientais
A necessidade de políticas públicas consistentes também apareceu entre as preocupações dos entrevistados.
A continuidade dos programas ambientais, independentemente das mudanças de governo, foi considerada importante para assegurar investimentos e oferecer previsibilidade às empresas que atuam no setor.
Além dos desafios urbanos relacionados à gestão de resíduos, o combate ao desmatamento ilegal foi citado como uma questão ambiental relevante para o Brasil.
Na avaliação apresentada durante a reportagem, o país precisa avançar simultaneamente em diferentes frentes, conciliando proteção ambiental, desenvolvimento econômico e inovação.
O futuro ambiental começa nas decisões do presente
As diferentes respostas apresentadas na ECO EXPO 2026 demonstram que os desafios ambientais da próxima década estão profundamente conectados.
Não será possível ampliar a reciclagem sem melhorar a logística. Não haverá economia circular em grande escala sem desenvolvimento tecnológico e viabilidade econômica. E dificilmente ocorrerão transformações duradouras sem educação ambiental e políticas públicas consistentes.
A reportagem também evidencia que o setor de gestão de resíduos ocupa uma posição estratégica nesse processo, reunindo soluções capazes de transformar problemas ambientais em oportunidades de inovação, negócios e desenvolvimento social.
Ao reunir empresas, especialistas, representantes do poder público e profissionais de diferentes segmentos, a ECO EXPO reafirma seu papel como espaço de discussão sobre os caminhos que poderão orientar a sustentabilidade nos próximos anos.
A pergunta sobre qual será o maior desafio ambiental da próxima década talvez não tenha uma resposta única. Mas as opiniões reunidas durante o evento deixam uma mensagem: o futuro sustentável dependerá da capacidade de transformar conhecimento, tecnologia e responsabilidade compartilhada em resultados concretos.
FONTE E VÍDEO
Fonte: Arena Ambiental
Quais serão os maiores desafios ambientais da próxima década? Especialistas respondem.
Reportagem realizada durante a ECO EXPO 2026.
Assista à reportagem completa no YouTube
Matéria elaborada com base na transcrição do vídeo.